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Trabalhos recentes – e outros nem tanto – em redação publicitária. Uns são bacanas. Outros nem tanto.
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Estudo de caso: Dos Reis

Em meados de agosto fui brifado sobre a campanha de matrículas do colégio Villa Lobos, de Salvador. No briefing uma curiosidade: a verba enxutíssima, de algo como R$ 160 mil, a ser distribuída em quase cinco meses de mídia. Ficou claro desde o início que não recorreríamos ao esquemão tevê-rádio-jornal.

Concorrentes já veiculavam campanhas de pré-matrícula, disputando um naco da atenção do público -- àquela altura quase toda voltada à disputa pela prefeitura.

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Ora, em vez de concorrer com trocentas escolas, por que não concorrer com apenas quatro candidatos? Em pesquisas opinativas era evidente que discursos idênticos de candidatos idem entediavam o público. E isso facilitava, por eliminação, a moldagem de um candidato novo.

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Com presença maciça na internet acompanhada de ações físicas pontuais, como blitze em escolas, Dos Reis iniciou seu diálogo com o público jovem por meio de um blog, em que malhava os tiques dos candidatos.

Anti-herói

A identidade secreta, o jingle pesado e o discurso consciente e debochado fizeram de Dos Reis uma espécie de anti-herói da campanha política.

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Com o fim do segundo turno, foi revelado que Dos Reis era feito de três alunos do Colégio Villa Lobos. Moral da história: o Villa Lobos instiga seus alunos a exercitar o pensamento crítico.

Em texto sobre a crise financeira, o site Tá Rebocado -- que não costuma ser muito elogioso com a propaganda baiana -- dedicou algumas palavras à campanha:

Aí como quebrar esse círculo vicioso? Anunciando mais e melhor. Sendo mais criativo ainda, apostando em novas mídias e em segmentação, falando mais diretamente com quem interessa e perdendo menos em dispersão de mídia. Aumentando o valor do negócio e o negócio é criatividade. A crise é época de mais propaganda e das boas. Nesse ponto, alguns saem na frente e, até por não demitir, mostram que podem dar uma aula de administração e criatividade na crise. Separam-se os homens dos meninos de novo.

A campanha de Dos Reis 88, que se desenrolou durante a campanha política e criou um novo candidato no Orkut, e A Dança do Pinguim, viral em TV e Youtube, são dois belos exemplos de adequação ao público e austeridade econômica sem perder o eixo, sem perder o norte e a razão de existir de uma empresa de publicidade. Com peças virais, atingiu em cheio. Quanto a agência, vocês tem o Google. Justamente, se não citamos na hora de criticar, não citaremos na hora de elogiar. Bons profissionais, ela provou que tem.


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Pedro Henrique de Abreu Seabra de Mello, redator
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